“Acredita, vais conseguir.”

“Dorme quando o bebé dorme”

Esta frase tem sido a origem de algumas frustrações minhas na licença de maternidade.
Há, na minha opinião, 4 tipos de pessoa que acham que dizer isto faz sentido: Quem não tem filhos, quem já teve filhos pequenos mas há muito tempo, quem tem babá e quem tem uma empregada doméstica.
Nós, as comuns mortais que têm filhos, não temos babá e muito menos uma empregada doméstica, eu diria que concordamos que as coisas não são bem assim…

Passamos muitas noites em branco com os nossos pequenos, (Algumas também com filhos mais velhos a acrescentar ao caos, com gritos ao meio da noite porque estão a MORRER de sede, ou têm xixi ou há um monstro debaixo da cama) e no dia seguinte quando nos vêem com as olheiras quase a chegar ao queixo perguntam se não foi uma boa noite com as crianças… E depois vem a frase. “Dorme quando o bebé dorme querida”

Agora, isso é tudo muito bonito dizer, muito mais difícil de concretizar.. Pelo menos falo pelo meu feitio e maneira de lidar com tudo. Ao meu ver há sempre alguma coisa para fazer em casa e o meu cérebro não consegue simplesmente entrar em modo ‘soneca’ por mais cansada que eu esteja. A bebé S adormece e só consigo pensar é na roupa para tratar, na loiça por lavar, no chão para varrer e mesmo quando consigo ultrapassar isso tudo e convencer-me que não me vou levantar, que tenho de dormir- a bebé S acorda. E lá começa o ciclo outra vez…

Agora não me interpretam mal, sei que quem o diz realmente não quer dizer nada de mal com isto, mas tentem também perceber que nós, como mães, muitas vezes estamos exaustas e frases como essas não nos ajudam. Nós sabemos muito bem que devíamos dormir quando o bebé dorme, mas a vida está cheia de tarefas por fazer e muitas de nós sentimos que se fizéssemos sempre assim as nossas casas caiam para um abismo de loiça suja, falta de roupa lavada (Já nem digo passada), banhos por dar, comida por fazer, mochilas por arrumar e não é fácil.

Por isso a próxima vez que virem uma mãe exausta, já a dar nas últimas, a aguentar se pelas pontas do cabelo e o amor interminável aos filhos, não perguntem sobre as olheiras, nem lhe digam para dormir quando o bebé dorme porque as coisas não são tão simples assim.

Em vez disso, digam algo como “Sei que parece que a vida vai ser sempre assim, mas acredita, o bebé vai chegar a uma noite onde dorme 4 horas de seguida, depois 6, depois 8 e quando deres por ti a maior parte das noites até consegues um belo sono”; “Acredita, as cólicas vão passar”; “Acredita, o teu rebelde de 3 anos vai parar com a maior parte das birras quando menos dás por ela”; “Acredita, vais poder dormir um dia”; “Acredita a vida não se resume apenas a esta fase difícil”; “Acredita, um dia vais até ter saudades de quando eles são pequeninos”; “Acredita, és uma boa mãe”

 

“Acredita, vais conseguir.”

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