“Segunda-feira”

 

Há muito que não escrevo. Não só no blog, mas em geral. Tenho andado com a cabeça a mil. Entre viagens à Capital para fazer exames com a M, a ter a Z doentinha, à roupa que não dou conta e agora a S que se recusa a dormir. A vida tem sido uma loucura nestas últimas semanas. Estou sentada na minha cama com 5 baldes de roupa para organizar mas decidi escrever umas palavras antes de começar essa tarefa.

Estou com o coração apertado. Porquê? Porque ao virar da esquina está a Segunda feira. A Segunda feira que eu pensei que fosse demorar mais tempo a chegar mas que chegou rápido demais.

Já deu para perceber que esta Segunda feira é um dia diferente não é? Pois é. Chega o dia em que deixarei pela primeira vez a minha pequena S, a minha lapa, a minha sombra. Será um dos dias mais difíceis para mim. Os últimos meses mudaram completamente a minha vida. Trouxe outra pequena vida ao mundo, completamente dependente de mim.

Sim, chegará o dia de voltar ao activo, de voltar à vida normal que agora me parece tão alienígena. Há dias em que realmente é difícil estar em casa com ela mas agora que a mudança está aí a porta, sinto o coração apertado. Estes serão os últimos dias que estarei a 100% com ela. A minha pequena S. É uma sensação estranha passar nove meses a criar um ser humano, passar 24 horas por dia e sete dias por semana com ela durante 4 meses e agora de um dia para o outro ter que deixá-la. É um sentimento angustiante, mas uma realidade que muitas de nós temos que encarar.

S, tem sido uma aventura. Dias bons, dias maus, cólicas, sorrisos, passeios e risos. Junto a estes maravilhosos momentos de me tornar mãe desta pequena humana, vêm os momentos não tão agradáveis. As noites passadas em branco, amamentar de madrugada e a completa e pura exaustão que nos acolhe na maternidade. Minha pequena, não te vais lembrar desta altura da tua vida mas espero que tenha sido um bom começo para a nossa relação mãe-filha.

Sei que ficará tudo bem até porque ela vai ficar com a avó e continuarei a amamentar mas custa me saber que ela vai estranhar não me ver, que não vou poder simplesmente pegar nela e ir dar um passeio à Vila sozinhas durante a semana.

Agora sim, vai tudo voltar ao normal. Mas um normal não muito normal para nós porque não estamos ainda habituados a estar a trabalhar os dois e ter 3 meninas para tomar conta após um dia de trabalho. Os banhos, o jantar, os trabalhos. E de manhã após uma noite em que a bebé S não dorme? Não vou ter tempo para descansar quando todos saírem porque eu estarei a sair também.

A maternidade é preenchida com tantas emoções e na Segunda feira acho que a maior delas todas vai ser a culpa. A culpa e a preocupação que estou a tomar a decisão errada ao deixá-la. Sim a maternidade é preenchida com muitas emoções, podemos nos sentir sobrecarregadas com a ideia de ter que trabalhar full-time e ainda cuidar de um recém-nascido, dos irmãos, da casa, do marido, de tudo mais. Podemos nos sentir como se não houvesse horas suficientes num dia ou dias numa semana para fazer tudo. Podemos nos sentir que os nossos bebés não estão a passar tempo suficiente connosco. Podemos nos sentir como um elástico que poderá rebentar a qualquer momento. Podemos sentir medo de não conseguir conciliar as coisas. De conseguir tratar de tudo no trabalho, em casa e ter os nossos filhos felizes.

Sim podemos sentir isto tudo. Mas mais importante, podemos sentir que não estamos sozinhas. Se sentes nem que seja algum sentimento desses, há que lembrar que muitas se sentem iguais. Devemos nos lembrar disso e aproveitar os momentos que temos e as lembranças que estamos a fazer com nossos filhos.

Faça o que fizer, estou a fazer o melhor que posso pelas minhas pequenas. Elas são cuidadas, elas são amadas e não importa o que faça, sei que será suficiente.

Então quando a Segunda feira chegar posso acordar triste, posso até chorar quando a deixar com a avó e no caminho para o trabalho mas tudo bem. Porque sei que são pensamentos que muitas de nós temos antes de começar aquele primeiro dia de trabalho.

Sei também que apesar de ter estes medos, apesar de ser difícil, sei que vou conseguir.
Sei que vamos conseguir.

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